domingo, 9 de maio de 2010

Entre olhares ...


A aproximação tenta ser rápida ... e não sei por que querer me esconder se o que queria era me mostrar. Ela já havia me reconhecido enquanto tropeçava, ora nos pensamentos, ora nos passos. Estranho como podemos ver a mesma pessoa de formas diferentes. O sentimento era de que estava vendo pela primeira vez. E era! Daquela forma, tão perto, era a primeira vez! Vontade de olhar o rosto, tentar sentir o perfume, saber a textura das mãos, receber um toque... observar as reações, estudar os olhares e tentar enxergar as reticências e finalmente, talvez, saber o que há por trás de frases inacabadas como “... e então..?” e “pois é...”.

Incrível como pessoas assim são raras. Não se encontra em qualquer lugar, a não ser numa esquina, num bar... Geralmente identifico esse tipo pelo olhar. É uma íris viva. Olhos inquietos, balançam as pernas e gesticulam muito. Ainda mais quando vivem com tudo isso trancado em si. E hoje, agora, posso ver diante de mim uma pessoa que está prestes a transbordar e eu, prestes a ver.

Mas o tempo passa rápido e os afazeres do dia a dia são inimigos. E mais raro ainda, são as oportunidades que a vida nós dá. Hoje encontrei uma brecha, posso viver a oportunidade da magia da mais pura subjetividade. Ahm... não sei por que inventaram os relógios (é a primeira vez que me pergunto isso com vontade de saber realmente a resposta). Tic-tac tic-tac tic... e eles ficam ali urgentemente informando o tempo que não dá tempo, só trégua. E a passagem do tempo não perdoa, já estamos na metade do dia.

Queria poder fazer com que os ponteiros funcionassem ao contrário. Queria o avesso dos ponteiros, mesmo avesso à melodia. Queria poder controlar o curso do tempo e se fosse por um instante. Queria este. Um dia me concederam três desejos. Será que ainda posso mudar?

Ao me sentar, senti que fui convidada formalmente a adentrar o infinito particular e então tomei nota. Ela tem no olhar um pedido de socorro e será que ninguém percebe? Talvez nem ela saiba. Mas minha necessidade em saber dela, e não sobre ela, transborda e se transforma em um amontoado de informações que precisam ser organizadas para que possam ser compreendidas. E então percebo que perdi o fio e fico confusa. Como pode alguém ter passado tanto tempo assim? Trancado em si?

Continuo observando e percebo ser observada. A troca de mensagens e imagens é rica e a medida que vem a mim tento montar na minha mente um quebra-cabeça. Ela é mais do que eu tinha imaginado. Viveu muito em tão pouco tempo, então, de repente, me vem o sentimento de que não vivi nada... nada.

Nunca senti uma necessidade tão grande e urgente de ouvir. Hoje enxerguei uma auto-suficiência contrastada com o apelo gritante de um olhar. Tudo isso me confunde e a única certeza é de que quero e preciso permanecer ali, ouvindo. Conversar é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o!

Finalmente podemos sentar frente a frente. Lamento o pouco tempo que temos e logo percebo que, ironicamente, ela usa relógio. Ao contrário! Os ponteiros a mostra, mostram a passagem rápida, das horas. Ela percebe e temos uma trégua. Pareço ganhar tempo, mas ela é resignada. Pois entende e aceita as freqüentes arestas e nós aos quais tem que se submeter.

Uma vez ouvi um texto ante uma música que dizia assim: ... Todo sentimento precisa de um passado para existir. O amor não. Ele cria como por encanto um passado que nos cerca. Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio com alguém que há pouco era quase um estranho. Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de... mágica. É chegada a hora de desatar os nós.

Sim. Aqui não vai precisar da solidão. E sim dá pra perceber... Decidido. Pacto de silêncio. Iniciaremos as confissões e isso, certamente, pode acreditar, ficará em segredo. É chegada a hora de arrumar o armário e sugiro jogar tudo em qualquer lugar. Não deixe nada, retire aquilo que precisa ser retirado. Desarrume. Coloque para fora tudo o que não cabe mais, e aqui. Use as peças que estão guardadas, as que não foram tocadas e vamos deixar manter a desorganização. E enquanto olho para ela, ela inacreditavelmente, diz sim, pelo menos por enquanto, à primeira das minhas propostas.

Não acredito em acasos. Apenas acredito que as pessoas aparecem em nossas vidas com algum propósito. Ainda não identifiquei qual o propósito, mas faço idéia deste encontro. O meu desejo talvez se confunda com um motorista de taxi. Participar da história. Passageiros de taxi sempre estão com pressa e os taxistas nunca sabem o final.

Por isso quero conduzir sim. Ou participar. Observar. Que seja! Quero saber o desfecho. Quero ver a limpeza desse armário e, se possível, o desenlace desses nós. Vou ficar aqui até que esse momento chegue e eu possa, pelo menos, saber que sua vida está em curso, que não se tranca mais no banheiro para chorar. Até eu saber que não está mais parada no tempo nem fica sentindo falta e pensando naquilo que nunca teve. Que retomou as rédeas sem precisar de cabrestros.

Quero poder ver felicidade naqueles olhos. Quero poder ver mais vezes os sorrisos e a leveza que vi hoje. Quero poder ser a válvula de escape daquela panela de pressão. Simplesmente porque vale a pena. E isso já é o bastante. É chegada a hora de ser feliz e meu papel aqui, sinto, é acompanhá-la, mesmo coadjuvante, no reencontro do seu caminho.

Agora vou me preparar. A caminhada pode ser longa. Quero participar da organização fora de ordem. Quero poder ajudar a esvaziar e encher novamente. Quero todos os capítulos, um a um. E todos de uma vez.. Como faço com livros maravilhosos que não quero nunca acabar de ler.

Despeço-me desejando não demorar para começar a folhear os originais. Vi que não me enganei e é tudo o que eu imaginava que seria. Hoje, fiquei com mais vontade do que já sentia antes. Aprender com ela requer paciência em saber trocar. É chegada a hora de resolver sua própria vida. Se for preciso se desconstruir para se construir de novo que isso seja feito. Só sugiro que descanse um pouco antes de deleitar-se ao planar, de olhos fechados e asas abertas...

Que comecem as confissões.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Confesso....aqui.

De repente percebi a importância de PARAR
Aconteceu quando decidi parar de falar para não ouvir
No momento que parei de pensar para não agir
Em meio ao instante em que parei de sentir
E então continuei parada enquanto tudo acontecia
Parei os meus sentidos quando os meus sentimentos me confundiam
Parei minha mente no meio do redemoinho
Selando minha boca que ficou aberta e
Fechando meus olhos que ficaram esgazeados.
Tornei-me inerte em movimento.
E pelo segundo que parei
O mundo, que eu precisava que parasse, não parou.
Colocou-me defronte ao espelho
Fazendo-me parar para ver meus olhos intumescidos e rubros
E a importância que pensei, de repente, ter percebido
Passou quando eu parei de me olhar.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Confesso...aqui.

Não divulgarei minha solidão
Apenas a terei
Meia participação nos seus sentimentos
Exatamente o que tenho em troca
Demonstrarei meus sentimentos sem receio
Com cuidado
Porém, não muito
Preciso ser verdadeiramente eu
E tão euforicamente alguém para partilhar
Sei dos meus anseios e espero não assustá-la
Mas confesso que me assusto
...
Seria maravilhoso se você pudesse me ouvir agora
Bem aqui a sua frente
Ao me comparar, talvez não fale com medo
E sempre os meus medos
...
Eu sei, ainda é cedo
Enquanto isso procurarei ser sincera a mim através de você
Precisarei de tempo
Por que tenho medo de mim, mas do que dos outros
Por isso sei que a perco
Mesmo eu estando segura e em paz
A verdade é que gostaria que decifrasse os meus sorrisos
Meu tom de voz ligeiro
...
Quem sabe mais adiante...